O Peso da Despedida e a Busca pela Redenção na NASCAR
No mundo do automobilismo de alto nível, saber a hora exata de parar é um talento tão crucial quanto a habilidade de pilotar no limite. Enquanto nomes como Dale Earnhardt Jr. e Martin Truex Jr. optaram por sair de cena em seus próprios termos, encerrando suas trajetórias quando sentiram que o ciclo físico ou mental havia se completado, outros percorreram um caminho diferente. Richard Petty, o eterno “Rei” da NASCAR, encontra-se no lado oposto desse espectro. Tendo conquistado seu último campeonato em 1979, Petty estendeu sua permanência nas pistas até o final de 1992, competindo por longos 13 anos após seu último título.
O arrependimento de uma lenda
O declínio de desempenho de Petty durante esse período final foi notável e, de certa forma, doloroso para os fãs que se acostumaram a vê-lo no topo. Nas suas últimas cinco temporadas na Cup Series, o heptacampeão não conseguiu sequer figurar entre os 20 primeiros na classificação geral, uma realidade pouco competitiva que culminou em sua aposentadoria em 1992. A corrida de despedida no Atlanta Motor Speedway carregou uma carga emocional atípica, misturando a celebração de um legado com a dura realidade dos resultados.
Recentemente, em uma sessão de perguntas e respostas no canal “Petty Family Racing”, o veterano abriu o jogo com uma honestidade brutal. Questionado sobre seus pensamentos a respeito daquela última corrida, Petty confessou: “Acho que quando a temporada acabou, olhei para trás e disse: ‘Eu amo pilotar um carro de corrida, é difícil sair’. Eu deveria ter parado antes”. Refletindo sobre o período pós-1984, após sua histórica 200ª vitória em Daytona, ele admitiu que, embora tenham feito algumas boas provas nos anos seguintes, a vitória nunca mais veio. “Quanto mais corríamos, mais lentos ficávamos. Eu deveria ter percebido isso e dito ‘não preciso estar fazendo isso’. Mas, novamente, eu amava tanto pilotar que, se não tivessem me obrigado a sair, provavelmente ainda estaria dirigindo”, completou a lenda. Dale Inman, seu chefe de equipe de longa data, reforçou essa visão, observando que a situação de Petty espelha uma verdade quase universal entre os pilotos: a tendência de estender a carreira além do ponto ideal, perdendo a agudeza necessária conforme o esporte evolui.
A aposta da Haas para 2026
Enquanto o passado serve de lição sobre o momento de parar, o presente da NASCAR é focado em reinvenção e sobrevivência. À medida que a temporada de 2026 da Cup Series se aproxima, as atenções se voltam para a Haas Factory Team. A operação de carro único, propriedade de Gene Haas, está passando por uma transformação agressiva na tentativa de recuperar a relevância. A equipe está abandonando a Ford para retomar uma parceria histórica com a Chevrolet e a Hendrick Motorsports, uma aliança que, nos tempos da Stewart-Haas Racing, rendeu dois títulos, incluindo o campeonato de 2014 com Kevin Harvick.
Agora, com o Chevrolet Camaro ZL1 número 41 sob o comando de Cole Custer e do chefe de equipe Aaron Kramer, a meta é clara: recapturar a magia em um grid onde consistência é a lei. A mudança de fabricante ocorre em um momento crítico, após uma temporada inaugural de 2025 desastrosa como entidade independente. Depois que a Stewart-Haas encerrou sua operação de quatro carros no fim de 2024, Gene Haas manteve um charter e se alinhou com a RFK Racing e a Ford para 2025, mas os resultados ficaram muito aquém do esperado.
O enigma Cole Custer
Cole Custer, peça central dessa análise, vive um momento de definição em sua carreira. Aos 28 anos, sua trajetória é um verdadeiro quebra-cabeça. Apesar de ter dominado a O’Reilly Auto Parts Series (a antiga Xfinity) recentemente, conquistando o título de 2023, seu retorno à Cup Series em 2025 foi marcado por uma performance apagada. Ele terminou num distante 32º lugar na pontuação, sem vitórias e com apenas dois top-5 em 36 corridas. Sua média de chegada foi de 23,6, números que não condizem com um candidato aos playoffs.
A regressão de Custer na elite é preocupante. Após uma estreia promissora em 2020 pela SHR, onde venceu no Kentucky e foi aos playoffs, cada ano subsequente mostrou uma queda de rendimento. A campanha de 2025 expôs falhas graves, com o piloto lutando contra o acerto do carro e estratégias de corrida, além de uma média de classificação ruim. Críticos apontam para uma falta de adaptabilidade ao nível exigente da Cup. No entanto, a esperança reside na nova aliança técnica com a Hendrick para 2026, que promete melhor compartilhamento de dados, confiabilidade de motor e insights aerodinâmicos — recursos que faltaram à equipe como uma operação de carro único isolada.
Desafios técnicos e expectativas
Olhando friamente para os dados de 2025, a competitividade da Haas ficou restrita a tipos específicos de pista, o que é um sinal de alerta para quem almeja uma campanha sólida. Seus melhores momentos foram em superspeedways e circuitos mistos, como o 4º lugar na etapa de verão em Daytona e o 8º na Cidade do México. Esses resultados destacaram a habilidade de Custer no draft e em traçados sinuosos. Por outro lado, em ovais curtos como Martinsville e intermediários como Kansas, a equipe afundou na mediocridade, expondo fraquezas gritantes em velocidade pura e gerenciamento de pneus. A temporada de 2026 será decisiva: ou a Haas Factory Team renasce com o suporte da Chevrolet, ou as dúvidas sobre o futuro de Custer na categoria máxima se tornarão insustentáveis.